Às 6:30 acordamos pro nosso último treino. O local dos jogos no Rio Centro é excelente. Gostei mais até que o do último mundial. Joguei bem hoje. Estou bem. Longe da convivência com as tradicionais pressões. Ansiosa, porém confiante. Não errei um saque hoje. Nooossa... Muito bom! Estou louca para testar meu jogo com as classes três.

Mas... Finalmente posso dizer que atleta também tem vida boa. Hehe... Depois do período concentrados na Aman onde pensávamos em: treino, treino, treino. Chega a hora de “desestressar”! Rss... O que sabemos até aqui, sabemos. Senão... Atleta começa a ficar nervoso, ansioso, e achando piolho em careca, sabe! Hehe... Daí, o ritmo diminui e ganhamos umas regalias para distrair a mente.

Uma delas foi ontem. Haháaa... Como estava com saudades de dançar! Cadeirante tb gosta oras!! Hihi... Fui à boate. Deu saudades das baladas das Danadinhas. Bacana mesmo. Mas bem mais simples que imaginava. Sem mesas, cadeiras... Apenas um espaço fechado para dançar, com música, DJ e muita luz! Chegamos tímidos e a turma do México fazia um auê lá. Depois o Brasil, no caso a gente do TM, fomos chegando e... Daí foi só festa! A Nete se divertiu horrores! As 22h, quando quis ir embora perguntem se ela queria ir? Kkk...
Já hoje depois do treino, relaxei com uma massaterapeuta de baixa visão. Tudo de bom! Agorinha fizemos uma reunião em volta do lago. Toda a seleção brasileira deu as mãos e agradecemos a Deus o que vivenciamos. Foi um momento muito bonito. Várias pessoas da delegação tinham velas nas mãos. De mãos dadas a gente se empolgou: fizemos a ôla (sei lá como escreve!) e cantamos gritos de guerra. Um deles, advindo da natação, é comédia! Povo figura! Assim:
“Vai lá, vai lá, vai lá! Vai lá de coração! Vamos sem braço, vamos sem perna, vamos ser campeão!”. Kkkkkkk...
Bjoos...
Escrito por Carlinha às 21h57
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Em tópicos!!
Olá!!
Er... Tanta coisa já aconteceu... Falta tempo pra ir à sala da internet. Então, vamos atualizar por tópicos. Hehe...
Primeiro quero dar os parabéns para a Janet! Foi niver dela ontem e fizemos uma festinha. Parabéns!!
Vila:

Como vocês podem ver, a vila é linda e bem aconchegante! Os quartos foram adaptados para nós e todas as calçadas rebaixadas. O restaurante funciona 24h e oferece várias opções. Ai, to gorda! Hehe... Aqui descobri novamente as maravilhas do pão e do arroz integral, do leite de soja... Hahaha... Não sei até quando! Tem muitas guloseimas. A famosa boate abriu ontem. Eu, lógico, ainda não fui. Mas me disseram que é bacana. Parece que ela vai fechar sempre às 22h. De pouquinho em pouquinho as lojas vão abrindo e essa “cidade” ganha vida. A cada delegação que chega mais movimentada fica a vila. É muito bonito ver o movimento de várias cadeiras de rodas, os cegos enfileirados (um coloca a mão no ombro do da frente e a fila é guiada por alguém que enxerga), os atletas com suas próteses... Enfim, uma cidade em que ironicamente ser “diferente” é completamente normal e comum.
Circo:
O Circo do Marcus Frota fez uma linda homenagem à seleção brasileira. Teve até mini-show dos Paralamas do Sucesso! Apesar do cansaço, valeu muito à pena. Amei ver o Maracanãzinho lotado.
Cerimônia de abertura:

Quando penso que já vi tudo que uma pessoa com deficiência pode fazer, me surpreendo. Na cerimônia que nos recebeu oficialmente na vila teve apresentação de capoeira. Entre os participantes do grupo, um rapaz sem as pernas. Pensei: como ele vai se apresentar numa luta que exige, a meu ver, uns 90% das pernas? Mas o menino da show! Coloca a cabeça como se fosse a perna, puxa a perna do outro com a mão... Se vira! O grupo mistura pessoas com e sem deficiência. Curti demais! Ó a cara dos atletas babando! Hehe...
Escola:

Alguns atletas foram escolhidos para visitar escolas públicas e conversar com as crianças. Eu fui um deles. Visitei uma escola láaaa no Campo Grande. Foi cerca de uma hora e quinze para chegar. Mas valeu o dia sem treino. Um porque estou com dores no ombro e foi bom pra descansar, dois porque senti que era importante eu estar ali. Que eu levava esperança para essas crianças carentes. Carentes também de sonhar, de acreditar no potencial delas e de ter certeza que é possível superar as dificuldades. E olha que não estou falando de deficiências. Conversamos, eles fizeram muitas perguntas e depois jogamos numa mesa de concreto que a diretora fez por lá. O mais engraçado foi na saída. Aonde eu vou, todo mundo exige a medalha de ouro. Haha.. Como na palestra eu tinha dito que vou competir na classe três e que não tenho teoricamente muita chance de medalha, mas que ia fazer meu melhor e tal, uma professora quis ser boazinha e foi bem condescendente. Ela disse se despedindo:
- Olha, eu vou ficar feliz com qualquer medalha viu! Kkkkkkk... Deu vontade de dizer: eu também!! Rsss...
Bjoos...
Escrito por Carlinha às 15h18
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