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Jogos...
Uma coisa ruim que a organização fez aqui foi separar os jogos dos “andantes” e dos “cadeirantes”. As competições ocorrem no mesmo prédio, mas em andares diferentes. O elevador é tão devagar que colocaram um aviso na porta: “very, very slowly”. Então raramente ou quase nunca subimos pra ver os jogos dos andantes. Mas fique tranqüila Simone, que o Zé, nosso técnico, está ficando com eles. Com certeza analisa os jogos das atletas classes 6 (* de 1 a 5 os atletas são “cadeirantes”. De 6 a 10, “andantes”. Quanto maior o número, mais movimentos a pessoa tem).
São ao todo quatro andares. O B1 é pra treino. No B3 acontecem os jogos dos cadeirantes e as refeições (ai, não agüento mais comer macarrão e batata. Aliás, quase todo mundo aqui. Hehe!), no B4 a recepção e o palco de shows. É, todo dia tem apresentação de música. No último dia vai ser música brasileira. Batucada e capoeira...

Na disputa por classes o Iranildo, nosso atleta classe 2 de Brasília, saiu nas 8ªs de final. Foi um jogo bonito. Eu mudei a estratégia com a Clot, mas ela já conhecia bem o meu jogo e impedia que eu colocasse bolinhas curtas. Como eu disse antes, ela é muito boa, tranqüila e tem bastante mobilidade. Joguei com outra atleta. Uma britânica. Com essa eu tinha certeza que dava pra jogar de igual pra igual, apesar dela ter mais de mobilidade que eu e muito mais força. A mulher dá um pulo e levanta o bumbum da cadeira com um braço pra pegar minhas bolinhas curtas. Eu não o levanto nem com os dois braços! Hahaha! Fiquei triste demais. Tava tão nervosa, tão nervosa que travei. Não joguei 20% do meu potencial. Isso que dá a falta de experiência em competições. Depois do Pan de 2003 só voltei a competir em 2005. Ou seja, não tenho um ano de competições internacionais. Mas mesmo assim fiquei frustrada. É muito melhor perder pra alguém melhor que você do que pra si mesma. Fiquei com muita raiva de mim, mas ainda bem que hoje fui melhor.
Começaram as disputas por equipe. Juntaram as classes 1, 2 e 3. Lá fui eu e a Rosângela, classe 3 e minha companheira de equipe, disputar com as britânicas (eu sou 2). O jogo de equipe é assim: primeiro uma atleta da equipe do Brasil joga sozinha contra uma da Inglaterra, no caso fui eu contra uma classe três de cabelos pretos, depois as outras duas de cada país jogam sozinhas. A Rosângela e jogou com uma classe 3 loirinha. Por último, as duas atletas de cada país, eu e a Rô, jogam juntas na mesa contra as duas adversárias, a moreninha e a loira. Quem ganha três jogos primeiro, vence. Caso a disputa não se defina nessas primeiras três partidas, começa tudo de novo. Só que as atletas pegam a adversária com quem não jogaram no início. Quem vence 3 jogos primeiro, vence.
Joguei muito bem contra a classe 3. Eu estava tranquilíssima e ela... A mão tremia toda na hora do saque. O Claudiomíro, um atleta classe 5, me disse que como ela era branquinha dava pra ver bolas vermelhas de nervoso no pescoço dela. Também, imagina a pressão que é ter bem mais mobilidade e mesmo assim ter dificuldade em vencer uma classe mais baixa. Enfim, eu tava colocando todas as bolinhas. Mas depois do primeiro set, ela mudou o jogo. Passou a jogar corrido e nos cantos, daí não tinha como colocar, o jeito era bater. E disputar bola batida com uma pessoa com as mãos perfeitas fica difícil. Ela tem mais controle, mais regularidade e é mais rápida. Na dupla também achei que fui bem. Estou feliz depois desse meu jogo pra meu 1º mundial. Finalmente consegui me soltar. Mas ia ficar felicíssima se ganhasse um jogo. Estou com esperanças contra a Jordânia amanhã, porque depois virão as italianas que são bem fortes. Pra vocês sentirem o drama, a Rô que é classe 3, perdeu para a italiana Clara Poda que é classe 2 (com muita mobilidade).
Na competição por equipe do Iranildo (Iranildo classe 2, Carlão e Algacir classe 3) juntaram as classes 2 e 3. Hoje eles perderam o primeiro jogo e quase, quase ganharam o segundo. O Algacir ganhou de virada o primeiro jogo, o Carlão perdeu o segundo, na dupla eles também perderam. Ficou 2x1 pros adversários, daí volta Algacir para jogar com o adversário com o qual o Carlão perdeu. Ganha de novo de virada. Haja coração! 2x2. Daí volta o Carlão pra jogar contra o 1º adversário do Algacir. Ele jogou muuuito, chegou perto, mas não deu. Final 3x2. Ainda não acabou.
Bjoos...
Escrito por Carlinha às 04h35
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Bom demais representar o Brasil! Mundial Montreux
To muito feliz. Ainda não começaram os jogos, começam amanhã. Até agora nos adaptamos ao fuso horário de cinco horas de diferença, conhecemos o local de jogos, que por sinal é um auditório famoso pelos shows de jazz que apresenta, treinamos, eu até fiquei com um roxo no braço hehehe, é a vontade... E agora a noite foi a cerimônia de abertura.
A viagem foi a mais cansativa de todas as que já fiz. Uma noite em São Paulo, um hotel bem confortável e uma hora da tarde já estávamos prontos para pegar o temido avião da KLM (quem leu meu post da Alemanha sabe o porquê rs) que sairia às 18:40. Afinal, 18 atletas convocados, dentre eles, nove cadeirantes para serem carregados, é... A gente dá trabalho meeesmo hehe, mais os técnicos, chefes de delegação, apoios e etc... A antecedência necessária para evitar imprevistos.
Não dormi mais que duas horas na viagem até Amstersdam. Fora isso, tudo certíssimo. Tava precisando de uma viagem tranqüila na KLM pra perder o medo. Haha! Tava crente que o avião ia cair. Boba mesmo... Umas 13 horas depois, um avião para Genebra, mais uma hora e pouco, um ônibus pra Montreux que demorou uns 50 minutos e finalmente... Hotel. Hahaha! Eu pensava isso né.
A cidade é linda. As montanhas ao fundo do lago, casinhas que parecem de boneca, os carros são OS carros, hotéis com cara de castelo e a rua limpíssima. Tem um caminho na calçada especialmente para cadeirantes, lógico que qualquer um pode usar, mas tem até o símbolo de acessibilidade (aquele bonequinho que é uma cabeça e uma cadeira de rodas) pintado no chão. Para não ter que descer ou subir a ladeiras das ruas, usamos o elevador público. Vida boa! Mas voltando ao hotel... Esperamos o dia inteiro a resolução de um problema: todos os quartos tinham cama de casal.
Depois de tanto tempo de viagem, poucas horas de sono, bumbum, coluna tudo doendo e pés inchados, tudo que todos queriam era cama. Os chefes de delegação tentaram de tudo mais o hotel não solucionou o problema. Pra falar a verdade, eu e alguns não achavam isso um grande problema, mas... Só à noite mudamos de hotel. O cansaço era tanto que várias vezes eu acordava caindo da cadeira numa das “pescadas” involuntárias na espera. Esse hotel que estamos é bem bonito por fora, mas pra cadeirante bem ruinzinho por dentro.
Só há um elevador para sair do hotel. Imaginem o congestionamento de cadeirantes no horário de pico! Rss... Meu primeiro quarto, é já mudei, nem entrava no banheiro e pra tomar banho, só me virando dentro de uma banheira. O segundo eu entro no banheiro. Ehhh! Dá pra lavar o rosto, escovar os dentes... Mas o box da ducha é tão pequeno que tomar banho na banheira ficou muito, mas muuuito mais fácil. Comédia! Quase me machuquei hoje. Amanhã vou tomar no quarto de alguém. Kkkkk... Imaginem a cena: eu de toalha e o funcionário do hotel colocando uma cadeira de plástico, a minha de banho não cabe, dentro do box. Que vergonha!!

Mas pra finalizar bem o dia, hoje fui uma dos cinco atletas escolhidos pra representar o grupo e o Brasil no desfile de delegações. Que orgulho! Pra quem outro dia nem se considerava atleta, agora até ser uma dos atletas representantes da seleção Brasileira eu fui. Honra... Ah! Amanhã é o open (todas as classes contra todas as classes). Isso escrevi ontem. Joguei bem o open hoje, mas não deu. A francesa, Clod, é muito boa e tem bastante mobilidade. Depois do sorteio caí com a Clod de novo. Eita sorteio bão! Hehe... Vamos ver se com outra estratégia eu vá melhor amanhã.
Escrito por Carlinha às 14h16
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