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Carlinha em Atenas


Quad Rugby, esporte para quem tem tetraplegia.

Gente, obrigada pela informação: hashi  = 2 pauzinhos que eles usam para comer. Ah! Sabem como se fala que está com fome em japonês? Não sei escrever, mas o som é igualzinho dizer uma casinha em espanhol: “una cacita”. Hehehe! (tb não sei escrever em espanhol).

 

Faz um tempão queria conhecer esse esporte. Fui ao campeonato nacional da 1ª e 2ª divisão de Quad Rugby. Se o objetivo do Rugby tradicional é transpor a bola pela linha do fundo da quadra, ou por entre as traves da meta, usando as mãos e os pés, no Quad rugby os cadeirantes tem o mesmo objetivo, só que ao invés dos pés, a cadeira de rodas faz a função. É cada pancada. Sem noção!

 

 

O Quad Rugby é uma alternativa de esporte coletivo e dinâmico às pessoas que tem tetraplegia. Atualmente, apesar de ser permitido jogador tetra no basquete, eu nunca vi um jogando. Normalmente, apenas pessoas com paraplegia o fazem. Nem consigo imaginar um tetra jogando basquete. No Quad Rugby apenas tetras jogam (desde lesão medular nível C5 até C7-C8 inclompeta. Além dos amputados dos 4 membros. É isso mesmo, 4 membros, pernas e mãos).

 

Dependendo do potencial físico, cada atleta recebe uma pontuação. Por exemplo, uma pessoa com lesão C5 (cervical 5) recebe a pontuação de 0.5 porque tem bastante limitação. Já um atleta com potencial físico próximo a uma lesão C7-C8 incompleta, tem a pontuação de 3.5. São 4 atletas de cada time jogando numa quadra de basquete durante 4 períodos de 8 minutos. Arf! Haja fôlego! A pontuação desses 4 atletas não pode ultrapassar 8.0 pontos. Aí o técnico decide sua estratégia, se quer um time de pontuação equilibrada ou com 1 atleta de pontuação alta e os outros 3 de pontuação baixa... Cada time é diferente.

 

Cheguei no estádio morrendo de vergonha. As cadeiras dos atletas bacanérrimas e eu com minha “poltroninha” Ortobrás já tão velhinha e acabada... Rs... Eu de vez em quando precisava de ajuda e eles tocando a cadeira na maior facilidade. Ai, ai... Tudo bem que eles são homens, mesmo com a lesão parecida continuam mais fortes, mas fiquei com vergonha assim mesmo. Eu brincava com a Katia: “só estou tocando a cadeira devagar porque vc anda devagar viu, anda devagar!”. Rs.. A minha cadeira era a única com *pinos e encosto alto! Hihihi!

 

O jogo final da 1ª divisão, lógico, foi o melhor. A gente tava torcendo pro time onde tinha um atleta loirinho amputado das pernas e metade dos braços. Ele era super invocado e dava o sangue. Tinha um jogador do outro time, um negro enorme, estilo de basquete, e o loirinho ficava marcando ele. Não tinha medo não. Vcs já brincaram de bate-bate? Pois é, é muito parecido. Como o atleta tem que entrar de cadeira, bola e tudo no “gol”, a cadeira é usada pra bloquear. O loirinho ia com tudo pra frente do negão. Era cada capotagem sinistra! Show!

 

 

No final o loirinho ganhou o prêmio de melhor jogador da categoria (pontuação) dele. Ah! Sabe quem entregava os troféus para os cadeirantes? A miss América cadeirante. Legal né? De coroa, faixa, sorriso, tchauzinho e tudo. Só que aqui apenas rola um “handshake”, nada de beijinhos nos atletas! O loirinho é o de amarelo na foto de baixo, a miss está sendo apontada por setas.

 

*cadeira de rodas com pinos: as rodas grandes da cadeira têm pequenas hastes cilíndricas em que vc apóia e empurra com a palma da mão para a cadeira de rodas andar.

 

Bjoos...



Escrito por Carlinha às 01h14
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Asiáticos no comando!

Olá pessoas!

 

Os sogros da minha irmã, Leninha e Vicente, que vieram para a formatura do Bruno, chegaram em Louisville há alguns dias e já estão experimentando da diversidade cultural. Outro dia (antes do tornado) fomos em mais um “churrasco”. O engraçado é que não tinha um americano sequer! Imaginem um churrasco com comida americana, churrasqueiros asiáticos e convidados latinos. Eita mistura de culturas!

 

 

A primeira “batatada” foi a cerveja. A galera chegou com um isopor lotado de cerveja. Detalhe, aqui é proibido por lei beber bebida alcoólica em lugares públicos. Quando vc compra bebida alcoólica, antes de sair da loja, tem que embrulhá-la e só pode abri-la em casa. Com isso, para eles, evitam a apologia à bebida. Se te pegam na rua bebendo uma cerveja descoberta, vai preso mesmo. Depois de descobrirem isso, o jeito foi enrolar as cervejas num papel toalha. Teve uma hora que a polícia passou perto e a tia Leninha não sabia o que fazer com a cerveja dela. A Katia falou: “Carla, vou dar uma andada aí, depois, se vc tiver sido presa, te busco na cadeia.”. Que maldade! Rs... Mas nada aconteceu. Só a tia Leninha que desistiu de beber a cervejinha dela. Hehe!

 

Os churrasqueiros mostravam toda a habilidade em cozinhar com os tradicionais dois pauzinhos. Viravam as carnes, lógico, na maior facilidade. Interessante de ver. Minha colega japonesa, Toshi-e, disse que em casa ela cozinha com o mesmo utensílio só que maior. O arroz deles é bem grudadinho, além do grão ser diferente, colocam vinagre para ficar assim. Aí dá pra imaginar como fica “fácil” (menos difícil) fazer sushi e comer com 2 pauzinhos (alguém sabe o nome disso?).

 

Os ingredientes dos sanduíches eram pegos com a mão. Pão, salada, às vezes até a carne. A tia Leninha horrorizada! “Ai, não gosto desse negócio de enfiar a mão na comida dos outros”. Hahaha! O tio Vicente não ta gostando dessa história de beber água direto da torneira. Achei isso engraçado porque lembrei do meu professor achar estranho NÃO poder beber água direto da torneira na Venezuela. Depois da comilança a Katia e a tia Leninha foram andar no parque.

 

Sobrou muuuita cerveja e alguma comida. Acho que por isso os asiáticos são tão magrinhos... Churrasco acabando, todo mundo indo embora, os latinos dançando salsa e naaada da Katia e da tia Leninha. Liguei pra ela e ri muito! As primeiras palavras dela: “Carla, hehe, estou cooompletamente perdida!”. Pediram informação e depois de um tempão acabaram nos encontrando. Mas andaram mais de uma hora procurando! Rs... Pelo menos gastaram todas as calorias do churrasco asiático!

 

Bjoos...



Escrito por Carlinha às 21h38
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